quarta-feira, 25 de julho de 2012

Polícia liberta Popó Porcino

Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Jovem de 19 anos ficava acorrentado em quarto e era ameaçado por sequestradores

"Graças a Deus que vocês chegaram". Após 37 dias de cativeiro sob o poder de cinco bandidos essas foram as primeiras palavras ditas pelo empresário e vaqueiro mossoroense Porcino Segundo, o Popó, 19 anos, sequestrado no dia 17 de junho em Ceará-Mirim quando voltava de uma vaquejada, e libertado na Praia de Pitangui, município de Extremoz, após uma operação de policiais da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) e serviço de inteligência da Polícia Civil. A ação resultou na morte do sequestrador José Erisvan, "Cabeção", e feriu outro criminoso, Anderson de Souza Nascimento. Segundo a polícia não foi feito qualquer pagamento de resgate pela família.
Os policiais da Deicor, sob comando da delegada Sheyla Freitas, prenderam Bruna de Pinho Landim, 22, José Orlando Evangelista Monteiro, 42, que foi detido na tarde de ontem no bairro de Pitimbu, e Paulo Victor de Monteiro, 25, filho de um coronel da Polícia Militar em Fortaleza.Todos eles integrantes de uma quadrilha cearense especializada em sequestro. Segundo a polícia, Paulo Victor, que poder ser um dos líderes do grupo, é acusado de matar um vereador e um policial civil em Juazeiro do Norte (CE).
A policia é taxativa na informação de que existem outros envolvidos no sequestro que ainda não foram presos. "Estes bandidos do Ceará não poderiam agir sozinhos. Teve mais gente daqui que deu apoio. Estamos investigando para efetuar as prisões", informou a delegada Sheyla Freitas.
Durante a coletiva realizada ontem pela Secretária Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), os delegados encarregados pela operação não deram maiores detalhes sobre como foi o modus operandi da polícia para se chegar ao cativeiro. "Entendemos o trabalho das imprensa. Mas não podemos informar nossos métodos de investigação, pois os bandidos estão cada vez mais eficientes"
Segundo relatos do secretário adjunto de Segurança Pública, delegado Silva Junior, que também comandou a ação, Popó não foiferido nem sofreu agressões na hora da operação. "Ele levou apenas alguns empurrões. Ele estava bem, aparentando tranquilidade. Estava apenas com a cabeça raspada pelos sequestradores para não ser reconhecido". 

Correntes

Foto:Caninde Soares/Divulgação
Casa usada como cativeiro fica na avenida principal de Pitangui


Popó ficou em um pequeno quarto preso por correntes, sob vigilância constante dos bandidos que o ameaçavam cada vez que surgiam notícias sobre o sequestro na mídia. "Se a polícia chegar aqui a gente te mata primeiro e depois nos matamos", reproduziu Silva Jardim. Além da corrente, a polícia apresentou duas pistolas - uma .40 e uma 9mm - e uma submetralhadora. Também apresentou uma máscara que era usada pela vítima durante os deslocamentos entre cativeiros e um netbook pelo qual os bandidos acompanhavam as notícias sobre o caso.
A delegada, que vestia uma camisa escrita "Obrigado Amigo Popó", revelou que a família do jovem pediu para que a polícia ficasse afastada do caso desde o inicio. "Mas era o nosso dever realizar nosso trabalho de salvar o jovem e de prender os bandidos. E assim o fizemos. Foram dias e noites de investigação que contou com o apoio do Poder Judiciário, investigando desde o sequestro de Popó em Ceará-Mirim, as pessoas que estavam no local para chegarmos à conclusão de onde ele estaria". 

Fonte: Diário de Natal